sábado, setembro 29, 2007

Juan, o dom

era foda, o cara. sabia das baladas. sabia das balelas. o rodo carcomido testemunhava um índice sobre-humano de conquistas amorosas. saborosas bundas colecionadas na memória. o nome não importava. cara e bunda tinham o mesmo peso, afinal... vomitava várias línguas, e junto, a sua. mas não era capaz, no meio de tantos recursos, de falar o que sentia. não sentia. ouvia Cássia Eller berrando "qq coisa que se siiiinta... tem tanto sentimento, deve ter algum q siirva". percorrera duzentos consultórios, orixás e benzedeiras. nada conseguia demovê-lo do ato (sempre consumado) de consumo. era compulsão. engolia pessoas e chutava ao longo do caminho de santiago q inventara para seus calos ausentes, na sua canastrice paranóica e solitária. da cana não havia sumo, só o bagaço. o gosto, sempre o mesmo. o mundo e suas fibras estavam a seu dispor, Majestade. mas por um ralo interno as coisas escapavam e, passada a curiosidade e a paixão, nada encontrava remexendo suas entranhas.
ele era para si o máximo. desde espermatozóide, notara que sua cauda se mexia mais rapidamente e com mais graça, o melhor dançarino. o mundo, um grande óvulo, era pouco para ele. deixava os outros pra trás só no sapatinho. ninguém ao lado. ninguém que merecesse.
sem muito esforço, desmentindo os documentários sobre vida animal, fecundou o nada, dando à luz uma vida mentida. o rei de Roma, cetro Bettanin, as roupas roídas pelos ratos. num colérico insight, a rainha abriu um chocolate e se deleitou. roer restos não era pra ela.