domingo, agosto 26, 2007

poucas delícias de poucos

extraviei, em algum lugar, a minha alma. nesse meio tempo, um tempo comprido e sem cheiro, enveredei por sítios sem semente e cheios de rasice, em seriais equívocos. mas, por vezes, a encontro (Ela me deixa bilhetes durante o sonho) e na sua Eterna Sabedoria ratifica: algumas coisas merecem atenção, não as perca. antes q me acusem (e não tenho mais saco pra isso) de ser azeda, confesso que me açucarei lendo uma revista Cláudia de 1987. não posso revelar esse detalhe a não ser para os conhecidos. com tantos filósofos a pensar por mim... que gafe. que pobreza. que auto-ajuda.
então, salvei em um arquivo anárquico um pouco de casa coisa, as melhores coisas, q não devo olvidar quando começo a me olvidar por que, mesmo, que a gente tá nessa gandaia que é o mundo - que é uma coleção de coisas que a gente vê e não pode tocar e nascem, assim, as tristezas. separei um punhadinho: banho de chuva na calha, uva molhada de chuva, corpo molhado de mar, cara molhada de choro alegre, vento forte quase a te levar, céu cinza grafite de tormenta iminente, dormir com o Negão encostado na pele, comer pitangas gigantes em Santa Catarina, caminhar horas e horas e horas por matos desconhecidos e praias quebomquefossem desertas, fogueira, banho de cachoeira, os Aparados da Serra com companhia à altura, o sol indo embora na tardinha, olhares marrons e sinceros, pedaços de músicas eternas, coisas sentidas de verdade, pessoas inteiras mesmo que por alguns segundos.
- um pouco de pequenas coisas, sussurou minha alma rouca. - achei. gracias.