sábado, junho 16, 2007

Colônia de Sacramento e o pó de pirlimpimpin

tinha gingko bilobas, muitosmuitosmuitos plátanos e cachorros felizes pela rua, atrás de gatos um pouco menos felizes. um perro, naquela tarde, olhou pra minha sacola de papelão largada na calçada enquanto eu fotografava e levantou a perna, batizando em segundos a manta recém comprada. as gentes eram educadas e o Rio, plácido, preguiçoso, derramado, prometia a prata dos peruanos mas por certo tinha outras riquezas atlântidas. e ainda tinha o lado de lá, pra onde não fui, de Ares Bons mas acho que não como ali. o mundo andava a dez por hora, scooters e lambretas sem capacete voavam tranças de velhos e moços ao vento absoluta e deliciosamente gelado.
Espanhóis e portugueses pelearam até no jeito do corte da pedra, e felizmente deixaram ali um punhado de cada cultura suficiente para criar o caldo onde eu, se fosse feliz daqui a alguns anos, me atiraria qual uma bactéria saltitante, a prescrutar entre os 36 tons de laranja qual seria a mais bem pintada folha de plátano. uma bactéria aposentada, artista e feliz. q pasa?mi casa es su casa. abre tu ventana e mira lo que pasa.
laranjas rechonchudas atopetavam árvores pequenas e de perninhas finas pra tanto peso, no centro da ciudad. o vinho cheirava bem e envolvia as papilas de uma maneira perigosa. e tinha um preço possível, que não deixava culpas, e assim o esôfago se abria sem tensões. e outras tensões iam embora, aliás nem tinham chegado até ali.
tinha flores exóticas e desconhecidas, tinha também umbigo-de-negro e dálias. tinha torres, muitas pombas, massas deliciosas e outras coisas deliciosas também.
tinha um bar com toalha de poás e um piano sobre os banheiros. uma geladeira com uma pintura surrealista na porta.
tomei duas ou três taças de vino rojo e nunca mais fui a mesma. por certo o garçon (almendras? nuts!) colocou alguma coisa naquele copo, naquela noite, naquele mundo.
vim pra casa decidida a pintar a porta da Steigleder. apontei meus lápis de cor para o horizonte e saí voando, ao som de Aterciopelados. Cartão Visa: porque a vida é agora.