Quinta-feira, Novembro 29, 2007

navegar?viver? carece não. só música.

amanhãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

não sei se volto. acho q não. levarei na mala a cuia, para qualquer eventual emergência. voltarei 30 anos no tempo. esse tempo, acessível pelo pensamento e pelas lembranças, não tem marcação. free time. tudo de bom. a um segundo, você se tem novamente, e aos seus sonhos engavetados, num resgate espasmódico de tesão pela vida, q te rala e esfola, mas te acaricia também. wrapped around your finger...

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Juan, o dom

era foda, o cara. sabia das baladas. sabia das balelas. o rodo carcomido testemunhava um índice sobre-humano de conquistas amorosas. saborosas bundas colecionadas na memória. o nome não importava. cara e bunda tinham o mesmo peso, afinal... vomitava várias línguas, e junto, a sua. mas não era capaz, no meio de tantos recursos, de falar o que sentia. não sentia. ouvia Cássia Eller berrando "qq coisa que se siiiinta... tem tanto sentimento, deve ter algum q siirva". percorrera duzentos consultórios, orixás e benzedeiras. nada conseguia demovê-lo do ato (sempre consumado) de consumo. era compulsão. engolia pessoas e chutava ao longo do caminho de santiago q inventara para seus calos ausentes, na sua canastrice paranóica e solitária. da cana não havia sumo, só o bagaço. o gosto, sempre o mesmo. o mundo e suas fibras estavam a seu dispor, Majestade. mas por um ralo interno as coisas escapavam e, passada a curiosidade e a paixão, nada encontrava remexendo suas entranhas.
ele era para si o máximo. desde espermatozóide, notara que sua cauda se mexia mais rapidamente e com mais graça, o melhor dançarino. o mundo, um grande óvulo, era pouco para ele. deixava os outros pra trás só no sapatinho. ninguém ao lado. ninguém que merecesse.
sem muito esforço, desmentindo os documentários sobre vida animal, fecundou o nada, dando à luz uma vida mentida. o rei de Roma, cetro Bettanin, as roupas roídas pelos ratos. num colérico insight, a rainha abriu um chocolate e se deleitou. roer restos não era pra ela.

Domingo, Novembro 11, 2007

Álvaro de Campos
O Que Há
O que há em mim é sobretudo cansaço
— Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
— Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Domingo, Novembro 04, 2007

código civil

intensidade: crime configurado quando todas as coisas entoam um cântico em uníssono: menos, Lisa.

Sexta-feira, Novembro 02, 2007

dezembro, buenos aires

There is no political solution
To our troubled evolution
Have no faith in constitution
There is no bloody revolution
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Our so-called leaders speak
With words they try to jail you
The subjugate the meek
But its the rhetoric of failure
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Where does the answer lie?
Living from day to day
If its something we cant buy
There must be another way
We are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world
Are spirits in the material world

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

anti-ciúmes
depois de eu/tu:
[ele/ele
ela/ela
ela/ele
ele/ela]
cheguei
ao eu/eu
onde há lugar
pra te receber.
( camilo de lélis)

Domingo, Outubro 28, 2007

livre associação

antítese arroubo animal atalho Invasão invólucro ímpar idílio abdução absoluto anafilático anoréxico Escrúpulo episódico exótico enxerto
crápula constelação costela cometa Órbita obcecado objeto onírico maníaco manso mortal mentira tombo trapézio tarimba tornozelo
lamparina libido limbo lascívia pudico placebo preâmbulo postiço meia noite meiomorto meiotermo meiotorto tarântula traumático talvez tolice
Benzedura brinco breve beira Traço tabefes tentáculos trastes Risco resposta rua religião nonsense nirvana narcótico ninfomania
Exorcismo estratégia estrago estribilho euteamo Colírio Cansaço cabelo cócegas candura Pelo pele preto prata proposta
estrelas estragos extratos ensaios exatos extremos Vontade viço veias vício vacilo volúpia Demônio dedo dúvida deuses dança delírio
suor seiva sêmen saliva susto sorte sagrado boca bunda braço brinquedo beiço briga besteira abalo ânsia alimento amparo alívio ausência amor